The Sweetest Melancholy











12/11/2008 01:54

Quanto leva o tempo


Já cri na inexistência do tempo, mas hoje me enxergo preso nessa dimensão. É relativa quanto as outras três, mas é sua inflexibilidade que nos frustra e fascina.

Foi nessa perspectiva que decidi aproveitar o que o tempo me oferece, usá-lo ao meu favor. Se ele cura as feridas, que venha e cuide de mim. Se me faz esquecer, que sopre tudo para longe.

E não entrarei nos enquadramentos que teimam em fazer dele. Já descobri que não preciso dele para várias outras coisas, como para me envolver e amadurecer.

Ainda assim, quero fazer dele meu companheiro e não meu cárcere. Que eu saiba aproveitar horas com quem amo e os minutos que duram as gargalhadas do dia-a-dia, à medida que tomo coragem para transformar os segundos de choro abafado no tempo necessário para ele se tornar real.

enviada por DéZ



07/11/2008 18:54

Hoje, só palavras dos outros


"Sinto dizer: desapontar pessoas faz tão parte da vida quanto tomar café. Leio e releio esta frase e engulo seco. Minha alma está de dieta. Não cabe em mim o peso de mais uma cara amarrada. Decepções não acontecem porque deixamos de fazer alguma coisa para alguém ou porque não somos como a imagem que projetaram de nós. A verdade é que as pessoas (nas quais me incluo) não sabem o que querem de si mesmas e jogam suas frustrações nas costas do outro. Em cima de alguém que obrigatoriamente deveria ter a resposta. Mentira minha? Não creio. E não há resposta na última página, sua verdade não está em ninguém (a não ser em você mesma), a decepção te engole, a culpa inflama, dias e noites são perdidos por emoções não conferidas no guichê. Vamos simplificar? Pegue a senha e aguarde. Pessoas sempre se decepcionarão com você. Pessoas sempre se apaixonarão por você. O importante é: não permita nunca que VOCÊ se decepcione, pois só VOCÊ tem o poder de fazer isso."

(Fernanda Mello)

enviada por DéZ



07/11/2008 12:30

It's not true (William Fitzsimmons)

Será que eu vou ter que decidir se é verdade que você me deixaria se tivesse metade da chance de ir, aí eu ficaria aqui sozinho na cama querendo que tudo o que mudou ainda fosse igual? Então não é verdade.
Ainda tem muito de você no quarto. É uma bagunça só e as fotos da prateleira são limpas por outra pessoa que me faz companhia. Eu ainda não contei pra ela que a idéia de você ainda é presente. E todo dia é uma nova chance de enterrar meu arrependimento e todo dia é uma nova chance de seguir em frente, mas eu não consigo. Eu te vi no celular, numa lista de contatos desatualizada. Eu teria mudado isso se tivesse mais tempo do que eu preciso pra me livrar de todas as sardas do seu rosto. E aceitar o quê? A aliança que eu te comprei tá enterrada atrás do balanço onde a gente se conheceu e a memória só serve pra lembrar dos hematomas que você perdôou. E será que eu vou ter que decidir que você voltaria se tivesse metade da chance de voltar? Mas não é verdade. Não é verdade.

(interpretação livre)

enviada por DéZ



27/10/2008 23:28

Breve


É complexo.

enviada por DéZ



22/10/2008 13:51

Antes Bem Acompanhado



Piadas internas. Perfume. Se arrumar pra ir em lugar nenhum. Música boba. Café. Perna colada no cinema. Sinceridade. Carinho no pescoço. Revelar o passado. Especular o futuro. Falar ao pé do ouvido só porque é o ouvido. Rir do nada. Rir de tudo. Mãos juntas. Ligar pra passar o tempo. Chocolate. Teatro. Dançar no ponto de ônibus. Andar na chuva. Ficar deitado do lado. Tv ligada. Cheiro de Shampoo. Ajuda. Presentes. Beijo sem pressa. Não conseguir falar tchau. Saudades. Praia. Fotos. Perder vergonha. Abraçar pra sempre. Cantar sussurrando. Metrô. Cozinhar juntos. Fim-de-semana. Sofá. Coisas da infância. Moletom emprestado. Coragem.


enviada por DéZ



23/09/2008 11:38

Pontos de Intersecção


Vínculos não são criados: simplesmente existem. Na hora certa, desabrocham e saem para a luz. Como se permanecessem em casulos desde a eternidade esperando o momento de preencher algum espaço vazio ocupado por duas vidas.

Há pessoas que conhecemos muito antes de sabermos que existem. Há aqueles que plantam, adubam, regam e podam até, de repente, se verem íntimos demais. Há ainda os que chegam sem saber de onde vieram ou ainda porquê.

E razões existiriam sempre muitas, mas as forças que fazem dois virarem conjunto único dispensam os próprios sentidos. Existem e existem simplesmente, nos lembrando que a própria existência basta.

Um põe no forno aqui, o outro come lá longe - já que distância é uma medida que se combina, com ou sem lamento. Esse fala, aquele percebe. Se comunicam com ou sem tato, ocupam o mesmo espaço mesmo no escuro.

Há quem ainda não viveu e ao olhar para tal fenômeno espera sua infinitabilidade, pois desconhece a ingratidão dos que se conectam e a efemiridade dos laços humanos, sempre tão vulneráveis aos caminhos inviduais. Assim, podem dois andar lado-a-lado e nem sequer ouvir a respiração alheia mesmo se por anos dividiram os mesmos calçados, mas agora seguem paralelos em trilhas distintas. O que antes era espelho, agora é indiferença.

E por alguma discrepância histórica, há aqueles que, cicatrizados, escolhem aproveitar ao máximo cada momento de ligação interpessoal, até mesmo das relações que estão fadadas ao passado. Só esses compreendem a importância de não estar sozinho e o peso da culpa de ser responsável por tanto isolamento alheio.

enviada por DéZ



08/09/2008 17:24

Músico-apropriação


Minha catarse vem das palavras e acordes de outros. Melodias que eu canto por dentro com fones-de-ouvido e batuques na mesa. No ônibus, andando pela rua, deitado na cama. Palavras que me doem por serem tão minhas, tão verdadeiramente particulares. À cada verso, choro o que não canto por mim mesmo, coloco minhas emoções pra dançar e me observo me entendendo.

Poderia eu encontrar minha própria harmonia, notas e estrofes? Certamente. Mas outros já o fizeram tão bem que eu prefiro me esconder no meu silêncio tão confortável. Canto por dentro, choro por dentro. Aproveito a frustração dos outros e toda a dor que fez as vidas deles reais para lembrar que eu vivo também. Encontro forças não sádicas, mas melodiosas.

Já não posso me expôr com minha própria música por causa de todos os ouvidos que tentam me escutar até quando me calo. Pelo orgulho gerado pelas feridas da minha história e pelos curativos sempre feitos na pressa. Fico sentado sentindo o vento frio esfriar meu café enquanto assobio mentalmente a minha dor disfarçada de dor dos outros.

enviada por DéZ






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